Regras gramaticais, como as de pontuação, parecem arbitrárias, mas quase nunca o são.
As vírgulas, por exemplo, têm algumas leis invioláveis específicas, mas situá-las em um texto é uma questão de respiração. A admiração conduz às interjeições, mas quem vive exclamando “Oh!” logo é chamado de estúpido, palavra de mesma raiz que estupendo, ou realmente admirável. Diz-se que a vida transcorre entre uma exclamação e uma interrogação, mas a sinceridade é fundamental: uma interrogação pode ser apenas uma exclamação disfarçada.
Uma distinção adequada entre ponto e vírgula, dois pontos e ponto final é sutil: são níveis diversos de articulação e coesão; uma continuidade artificial é carência de ponto final.
Como a Constituição de um país, as regras gramaticais são instituintes. Do léxico à fonologia, da sintaxe à semântica, da morfologia à prosódia, cada dimensão da linguagem tem papel fundamental.
Como bem cunhou Wittgenstein, Uma nuvem inteira de filosofia se condensa numa gotinha de gramática.”

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