Mattemas

75. ACADEMIA DE PLATÃO

Os mandamentos são dez

Porque tenho duas mãos

Disse Moisés a Platão

Que retrucou com energia:

“Fora de minha Academia!”

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74. DESENHO GEOMÉTRICO

Com régua e compasso
Tentam controlar meu traço.

Simulo uma trégua

E com arte me disfarço.

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73. POEMA/TEOREMA

No poema ou no teorema
O rigor merece zelo

Mas o que chama a atenção

Num caso é a emoção

No outro, o modelo…

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72. INTERVALOS

Se um intervalo mínimo nos separa
Nossas diferenças ficam por um fio

Tais diferenças, porém, são vitais

Ou entre nós se instala o vazio.

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71. CICLÓIDE

A ciclóide anuncia

Uma doce rebeldia

Uma contida revolta:

Em seu vôo de galinha

Decola bem decidida

Mas logo volta…

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70. LEI DOS GRANDES NÚMEROS

A Lei dos Grandes Números

Com elegância

Releva minha

Insignificância.

Mas, e as exceções?

Não há regra sem…

Quem sabe não sou uma

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69. MATEMÁTICO POETA

Se a matemática fosse um barco

“Se p, então q” seria o motor.

(O matemático é um fingidor.)

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68. DÍZIMAS

Quando se explicam, são muito diferentes:

As dízimas periódicas são cansativas

Os irracionais, surpreendentes…

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67. ANALÓGICO/DIGITAL

Conspiração literal:

Nada é mais analógico

Que uma impressão digital…

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66. PERPENDICULARIDADE

Concorrência sim, mas com eqüidade

Eis a perpendicularidade.

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65. VERDADEIRO/FALSO

O Verdadeiro e o Falso foram acusados

Do pecado da aproximação indevida.

Expulsos do paraíso matemático,

Caíram na vida.

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64. ARITMÉTICA/ROBÓTICA

A Aritmética copulou com a Robótica

Nasceu a Dízima Periódica.

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63. LEI DOS GRANDES NÚMEROS

A Lei dos Grandes Números

Com elegância

Revela e releva

Minha insignificância.

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62. ZERO/UM

Muitos zeros reunidos

São uma ameaça verdadeira

Se uma unidade à esquerda

Se aproxima, sorrateira…

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61. CONTAR E FAZER DE CONTA

Fazer contas dá confiança

Mas a realidade cansa.

Fazer de conta traz esperança…

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60. ÁREAS E VOLUMES

Muita simpatia

Pouca competência

Traz um fato à lume:

A área pode ser grande

Sendo pequeno o volume…

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59. MATEMÁTICA E POESIA

Quatro é igual a dois mais dois

A exata Matemática anuncia

Mas o ritmo discrepa, falta a rima

A substituição é uma anomalia…

O lugar da exatidão é a Poesia.

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58. ESFERAS TANGENTES

O amor de fato

Tem como fito

O ponto de tangência

De duas esferas

De raio infinito.

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57. RETAS CONVERGENTES

Se duas retas divergem

Logo chegam a um consenso

Que é único, além do mais.

Se muitas retas divergem

O consenso é mais difícil.

São os ossos do ofício…

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56. VETORES

A pós-modernidade

Me deixa aturdido

Ao menos os vetores

Têm sentido?

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55. VAZIO

Na Matemática

A existência do vazio

É trivial

Na vida

O vazio da existência

É fatal.

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54. CALOR E MATEMÁTICA

O cálculo é frio, pragmático

A definição é morna, dissimulada

O que aquece o matemático

É a interdependência insuspeitada

É o argumento escorreito

É a generalização sem preconceito.

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53. RAZÕES, RAZÃO

A cardióide tem razões

Que pouca gente conhece

O círculo tem uma razão

Quem a vê, jamais esquece.

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52. CERTEZA

Certezas absolutas

Têm os muito loucos

E os de muito pouca idade.

Tê-las na vida, quem há de?

Entre o projeto e o acaso

Reina a probabilidade.

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51. PRODUTOS NOTÁVEIS

“Produtos Notáveis”

É uma expressão emblemática

Que distingue com clareza

A indústria e a Matemática.

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50. POLIEDROS

Poliedros, geralmente,

Não são confiáveis

Suas múltiplas faces

Disfarçam uma natural hipocrisia

(Apenas os regulares são sinceros.)

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49. 

Um desatino real

Na perfeição circular:

Uma razão irracional.

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48. INTEIRO/COMPLEXO

Em tudo, sê inteiro

Diz a lição de Pessoa.

Kant retruca e exorta:

Sê racional é o que importa

Uma evidência fatal:

Os irracionais são a maioria

E como é complexo o real!

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47. REGRA DE TRÊS

A Regra de Três

Está para a analogia

Assim como a métrica

Está para a poesia.

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46. PLANO/ESFERA

Gosto menos do fato

Do que do ficto

Quase todos os meus planos

Tornam-se esferas de raio infinito.

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45. RAZÃO ÁUREA

A divina proporção

A todos seduz.

Ao abrir o mamão

Ela já estava lá

Ou eu a pus?

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44. LIMITES

Metas me ouriçam

Limites me atiçam

Tender é estar vivo.

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43. VALOR ABSOLUTO

Falso ou sincero, morto ou vivo

Um ser humano nunca é igual a zero

Seu valor absoluto é sempre positivo.

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42. MÁXIMOS E MÍNIMOS

A felicidade é o máximo

O mínimo é o sofrimento

O ótimo é uma ilusão

Um pequeno movimento

E já não mais são ou estão.

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41. TOPOLOGIA

Cuidar do próximo

Criar utopias

Cultivar vizinhanças

Em harmonia

Ver invariâncias

No que varia

Eis o pão nosso

De cada dia

Da Topologia.

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40. ESPERANÇA

Na Caixa de Pandora da Matemática

A última a sair é a certeza.

A esperança é a média.

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39. SECANTE/TANGENTE

Mesmo quando muito próximas,

As mensagens são muito diferentes:

Aprendemos a dissecar com as secantes

E a acariciar com as tangentes.

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38. O MATEMÁTICO E O POETA

“Seja R uma rosa”

Disse o lógico matemático,

Ao que retrucou, enigmático

O tautológico poeta:

“Uma rosa é uma rosa é uma rosa…”

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37. PROVÁVEL

O que é impossível

De se provar

Pode ser provável.

O destino das palavras

É imprevisível…

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36. LINGUAGEM MATEMÁTICA

“A ou B” não é exclusão

Fatorial não é exclamação!

Raiz complexa não é a da paineira…

A linguagem matemática é traiçoeira!

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35. PROBABILIDADE

Sucessivas ocorrências

De um evento

Tornam seu acontecimento

Mais provável?

Ou isso é sinal

De que seu estoque

Está no final?

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34. RACIONAL/IRRACIONAL

Ao ler o jornal

Ninguém duvida:

O Racional

E o Irracional

São próximos na vida

E na reta Real.

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33. POLÍGONO

Tudo pode ser visto

Sob múltiplos ângulos

Tudo é polígono

Os regulares

São os menos interessantes.

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32. QUADRADOS E MEDIDAS

Os quadrados são divinos

Na medida de quadrados.

Os quadrados são humanos

Na medida de círculos.

Na medida de todas as coisas

Somos humanos, demasiadamente humanos.

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31. MATEMÁTICA

A Matemática é ótima

Na contagem das sementes

No interior de um fruto

Mas é bem mais reticente

Ao estimar os frutos latentes

Em uma simples semente.

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30. CÔNICAS

As elipses elidem

As hipérboles exageram.

Somente é possível

Aprender com as parábolas.

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29. SENO

O sol nascerá amanhã

Corações seguirão batendo

As marés, secando e enchendo

Os pulmões, vazios e plenos

A vida é como os senos.

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28. PERMUTAÇÃO

O caos e a vida

Em perfeita união:

Da ENTROPIA, a PROTEÍNA

É uma simples permutação.

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27. PONTO

O ponto é uma ilusão

De perfeita simetria

Só existe na Astronomia

Ou da janela de um avião.

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26. PARALELAS

Vivemos paralelamente

Olhando na mesma direção

Sem olharmos uns aos outros

Projetando encontros

No infinito.

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25. PRIMOS E MÚLTIPLOS

Os números múltiplos

Replicam, ecoam, multiplicam

São cordiais.

Os números primos

Originam, inauguram, descortinam

São primordiais.

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24. TRIÂNGULO

No amor, como no trânsito

Ao se avistar um triângulo

Deve-se ter atenção.

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23. NÚMEROS

Os números não mentem jamais

Mas eles são excelentes

Para tornar as mentiras convincentes.

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22. MAIS OU MENOS

Nem de menos, nem de mais

Faz bem em qualquer assunto

Muito pouco é ruim demais

E tudo o que é demais é muito.

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21. ORDEM DOS FATORES

O fruto vem da semente ou a semente vem do fruto?

A ordem dos fatores altera o produto?

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20. MÉDIA

Não existem dramas, nem tragédias

Se nos escondemos

Atrás das médias.

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19. CARDIÓIDE

O coração é um músculo feio

Tem a graça de uma orelha.

Prefiro uma cardióide bem vermelha.

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18. POLINÔMIOS

Polinômios são como poesia

Com simplicidade,

Nos aproximam de coisas muito complexas

Fernando Pessoa era um polinômio.

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17. TEOREMA

Se eu fosse quem não sou

Se tu não fosses quem és

Então, logicamente,

Tu me amarias eternamente

E me terias a teus pés.

E a vida seria amena,

Simples como um teorema.

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16. SEMELHANÇA

Consta que somos semelhantes

Mas nas instâncias da existência

A semelhança é uma ilusão,

Se não é mera coincidência.

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15. ESFERA

Impossível resistir

A qualquer inclinação:

Eis o tributo que a esfera

Paga à própria perfeição.

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14. CÍRCULO

A equidistância não existe

Dentro, fora, não existem.

O círculo não existe.

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13. ÂNGULO

Um ângulo é um encontro

Ou, de outro ângulo,

Um desencontro.

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12. PLANO

Planos são sedutores

Naturalmente sedutores.

Seduzem as retas

Ao segundo encontro.

Reduzem os projetos

E as mais caras ilusões

A retas determinações.

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11. SEMIRRETA

Uma semirreta

É como um olhar

No firmamento:

Não está no espaço,

Está no tempo.

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10. FAIXA DE MOEBIUS

A imaginação

Tem asa:

Uma faixa de Moebius

Lá na faixa de Gaza…

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9. CURVA NORMAL

Intolerância sutil

Apenas dois ou três desvios

E a Curva Normal me excluiu.

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8. FINITO/INFINITO

O fim do que é finito

Não faz vilão, nem herói.

O infinito, quando finda,

Dói.

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7. FUNÇÕES E LIMITES

As sequências e as funções

Aprendem com a paciência

A existência dos limites.

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6. PAR OU ÍMPAR

Os pares nos acolhem

Os ímpares nos impelem.

Par ou ímpar? Eis a questão.

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5. INCÓGNITA

Literal missão:

Dissimulado entre números,

O “x” da questão.

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4. ESPIRAL

Ambiciosa

Disfarça mal

A espiral.

Sempre fingindo

Finge que chega

E vai saindo.

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3. PARÁBOLA

Atire a pedra

Quem não tiver culpa

Os outros devem

Prestar atenção

À parábola.

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2. RETA

Inflexível,

A linha reta

Faz bem ao caráter

Faz mal ao poeta.

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1. MATTEMAS

Um mattema é uma brincadeira com palavras

O twitter é o mote; a Matemática é o tema.

Será um poema?